No espaço para arte desta edição, dedicamos para uma cidade chamada Mairiporã, cidade onde moram dois de nossos atores, Eliseu Pereira e Almir Marcelino, estes que trabalham conosco há mais de 10 anos contribuindo com artes. Almir Marcelino demonstra seu carinho para Mairiporã que faz 120 anos neste dia 27 de Março. Poemas escritos e recitados por ele no dia de abertura das atividades que comemoram o mês de aniversário da cidade. Leia os dois poemas.
M A I R I P O R Ã C I D A D E B O N I T A Diante da transitoriedade das coisas, a memória é o que nos imprime perenidade. A memória é o que nos dá a sensação de que somos eternos ou eternizados. Porém, a memória é como os sonhos ou os deuses. Se não lhes damos crédito, deixam de existir. Saí na varanda da casa onde moro, sentindo no rosto, o morno sol da manhã. E como sempre faço, respirei fundo me enchendo de vida, de aromas e cores. De sonhos e sons, que me chegam do vale, feito murmúrio ao vento. Olhei para a imensa montanha, o verde colírio que se descortina á minha frente. Respirei o cheiro das águas, o cheiro de mato, me sentindo o mais privilegiado dos homens. Num passeio panorâmico, os meus olhos voam em busca dos contornos das serras. Maravilhosas molduras, para a arte grandiosa da natureza criadora. Mais abaixo, no vale resistente aos encantos, como que por encanto me vem. Da memória das águas, a imagem do ribeirão, do córrego, do riozinho. Rio abaixo, rio acima. Hoje rio com letras grandes ou: Represa Paiva Castro. E nos olhos da memória, o riozinho volta a cortar o vale, serpenteando e regando a vida. Verdadeira cobra d água, dançando inquieta e silenciosa, aos pés do olho d água. Velho rio Juquerí, Vila de Juquerí, memórias de um outro tempo, veladas, quase difusas. Pelo verde exuberante, das montanhas e serras, que te abraçam e te protegem. M ontanhas e serras, divinas molduras, toque natural. A s tuas belezas enchem nossos olhos, não tem nada igual. I nspiras cantigas, poemas, pinturas, são tantos os teus dons. R ecebes a todos, de braços abertos, são todos tão bons. I ngênua pureza, sagrada nas águas, que brotam de ti. P oderosa seiva, saciando a sede, para muito além daqui. O fertas teu clima, toda tua história, à modernidade. R ecanto das águas, refúgio das serras, pra grande cidade. A ndas indecisa, sabes que precisas, de uma identidade. C idade bonita vale pitoresco, terra do cinema. I nvenção de um povo, filhos do teu ventre, filhos de outro chão. D eixar teu passado, buscar o futuro; eis o teu dilema. A ldeia bonita, montes, vales verdes, vale da canção. D eixa tuas lendas, irem pelas águas, transporem montanhas. E spalhe na brisa, a tua magia, que vem das entranhas. B loco do teu samba dança o Caiapó, reza o São Gonçalo. O lho d água, Pico, Matriz do Desterro, sina, sino e badalo. N atureza, em festa, chama toda a gente, para celebrar. I greja do Rosário, velhas olarias, estórias pra contar. T ijolos e sonhos, causos e folclores, serão teus arquivos. A rdem tuas lembranças, fazem da memória, teus novos sonhos vivos.
Almir Marcelino
N O S S A A L D E I A Mairiporã, sempre será, pra mim. Aldeia pitoresca, sim... M inha, nossa aldeia, terra da gente. A manhã, quem sabe, serás diferente. I nsiste Pico, matas, pedras rios. R esiste aos mecânicos desafios. I nda resta uma esperança. P oderão os jovens brotos te florir. O ntem, hoje, sempre quando o sol surgir. R eclama Pico, chore tuas mágoas. A ntes que os brotos morram sem tuas águas. Chama a natureza, o curupira pra te proteger. Que venham as máquinas dos homens, querendo te vencer. Chama a esquina, a juventude pra te defender. Senão os jovens brotos não poderão florescer. Chama a escola, a criançada, pra te conhecer. Assim, a nova geração poderá te merecer. Chama as ruas e as casas, pra te reconhecer. Que um dia os jovens brotos, irão te agradecer. Pertencem ao homem, este universo de riquezas e infinitas belezas. Ao homem compete, saber usufruir das riquezas e tornar as belezas, mais infinitas.
Almir Marcelino - Ator da Toque de Areia e morador de Mairiporã.